terça-feira, 28 de maio de 2013

Desejos

Desejo a vocês... 
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma música amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra "não"
Nem "nunca", nem "jamais" e "adeus"
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Escrever um poema de amor
Que nunca será rasgado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender uma nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde amena
Calçar um chinelo velho
Sentar numa velha poltrona
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.

Carlos Drummond de Andrade


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Repartindo a repartição


Tem gente que pensa que a vida de funcionário público é uma moleza, nada para fazer, só ver as horas passarem. Pra começo de conversa, muitas vezes pode mesmo ser assim, mas nunca para um professor.

Outra mentira é a falsa sensação de tranquilidade que a estabilidade traz. Não há o risco da demissão - salvos alguns casos extremos, ou seja, se você fizer uma merda muito grande, como trabalhar bêbado, por exemplo -, em compensação, a cada fim de ano ou troca de Governo uma onda de boatos terroristas nos assola: Haverá redução de turmas? Ficarei excedente na escola? Novas regras de avaliação???

Felizmente, a maioria deles não leva a lugar algum e, no ano seguinte, tudo continua quase exatamente como antes.

E, então, as regras são mudadas. Cobram estatísticas, oferecem gratificações, colegas jogam-se uns contra os outros na tentativa da manutenção do status quo. A instituição pública passa a jogar com as regras da privada, busca resultados, metas a serem batidas.

E o lado pedagógico? Bom, isso é preocupação de professor, não de administrador público. O que importa são os números, e devem ser altos.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Desconecte-se

A tecnologia que nos conecta com o mundo é a mesma que nos afasta dos que estão mais próximos de nós.


Esse vídeo é bem representativo da realidade em que vivemos, onde as pessoas são "absorvidas" de tal forma para o mundo virtual que ignoram aqueles com quem deveriam realmente se conectar. 

Quem de nós nunca presenciou - ou viveu - uma cena com as deste comercial tailandês?!? São filhos ignorados ou ignorando os pais, casais que não conversam durante uma refeição ou amigos que se divertem mais com um telefone que com o grupo ao seu redor.

A tecnologia é algo extremamente sedutor e, não é à toa, que pode ser considerada um vício; mas é bem mais simples de ser curado do que se imagina, basta usar o bom senso e o botão "desliga". 

Desconecte-se para se conectar.

Depois, não adianta ficar postando indiretas no Facebook.


sábado, 11 de maio de 2013

Nem todos os heróis morrem de overdose

Quem mora no Rio de Janeiro, facilmente encontra celebridades e atores globais. Basta circular por  determinados bairros, shoppings ou praias durante a semana e nos horários em que a maioria dos assalariados está trabalhando, e logo encontrará um perambulando, correndo ou empurrando um carrinho de bebê. Quase sempre com muita pressa e óculos escuros.  

Não faço o tipo "tiete". Nas raras ocasiões em que encontro um desses, observo ao longe - mas nem tanto -, finjo certa naturalidade (são "gente como a gente") e observo cada detalhe que a televisão esconde ou disfarça - isso, é claro, antes do advento do HD! Nunca pedi autógrafo, foto ou elogiei o trabalho. Talvez por ainda não ter encontrado com Fernanda Montenegro, Tony Ramos ou outro realmente notável que valha tal assédio. 

No entanto, existem dois "heróis" da minha infância e adolescência que sonho em conhecer: Mauricio de Sousa e Evandro Mesquita.

Quem não leu a "Turma da Mônica" não sabe o que é ser criança. Ao menos, uma criança que lê. Através das personagens de Mauricio de Sousa, desenvolvi meu gosto pela leitura desde a mais tenra infância. Numa época sem bullying ou "politicamente correto", a identificação era imediata com aquelas crianças que brincavam na rua, subiam em árvores, trocavam apelidos e tinham uma vida tão simples e comum como qualquer um de nós.

A Evandro Mesquita eu devo o gosto pelo rock. Tudo bem que a Blitz era meio que o Restart (eca!) da época, mas além das cores vibrantes, trazia um humor nonsense nas letras que eu não conhecia até então. Histórias divertidas como a de Betty Frígida ou a dramática carta da "Mariposa Apaixonada de Guadalupe" - sou um dos poucos que conheço que ainda sabe a letra toda até hoje! - embalavam as tardes de sábado no Cassino do Chacrinha.

Posso dizer que fui "moldado" com boa música e muita leitura. Um dia ainda tenho que encontrar esse dois  para  agradecer por isso.

domingo, 5 de maio de 2013

Ecos do passado


Existem músicas que nos trazem boas lembranças, aquele saudosismo gostoso e a sensação de "eu era feliz e não sabia". Essa é uma delas. 

Não sei, ou melhor, não lembro bem o porquê dessa canção ser tão marcante pra mim. Talvez não por um motivo específico, mas uma época, um tempo a que ela remete, em que a inocência da infância e a curiosidade da adolescência se misturavam. 

Nem sou um fã de Pet Shop Boys, mas a dupla possui umas músicas que ficaram na memória, como a versão de "Always on my mind" - porque tocava na chamada de "Anjos da Lei" na Globo - e "West End Girls", que traz uma sensação inexplicável de saudade. 

Já viu isso? Uma música que dá a sensação de saudade? Não que me lembre algo ou alguém, mas apenas o sentimento. Acontece isso também com "Down Under" (Men At Work) e Andrea Doria (Legião Urbana). 

Ah, se eu fosse enumerar todas as músicas que guardam recordações... Sem falar nos filmes, comerciais... Bom, acho que vou ali curtir uma musiquinha e volta já. Ou depois.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Chuuuuupa, Indonésia!!!


Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de qualidade de educação que comparou 40 países levando em conta notas de teste e qualidade dos professores, entre outros fatores. Veja a lista completa:

1. Finlândia

2. Coreia do Sul
3. Hong Kong
4. Japão
5. Cingapura
6. Grã-Bretanha
7. Holanda
8. Nova Zelândia
9. Suíça
10. Canadá
11. Irlanda
12. Dinamarca
13. Austrália
14. Polônia
15. Alemanha
16. Bélgica
17. Estados Unidos
18. Hungria
19. Eslováquia
20. Rússia
21. Suécia
22. República Tcheca
23. Áustria
24. Itália
25. França
26. Noruega
27. Portugal
28. Espanha
29. Israel
30. Bulgária
31. Grécia
32. Romênia
33. Chile
34. Turquia
35. Argentina
36. Colômbia
37. Tailândia
38. México
39. Brasil
40. Indonésia


Até pensei em muitas coisas para escrever a respeito, mas os fatos já falam o suficiente. 

Enquanto isso, no país da Copa...

sábado, 13 de abril de 2013

Clube da insônia


Sempre tive uma forte atração pela madrugada. Não sei o porquê, mas dormir cedo é uma ideia que nunca me atraiu, nem mesmo quando sou obrigado a isso. 

Quando criança, eu não gostava de dormir. Considerava um desperdício de tempo ficar oito horas sem fazer nada. Além disso, a sensação de inconsciência era outra coisa que me incomodava. Uma hora você está de olhos abertos, de repente os fecha e só reabre no dia seguinte, horas depois. O que aconteceu nesse tempo??? Nem havia internet que pudesse informar.

Na adolescência, minha relação com o sono mudou bastante. É quando eu fazia questão de dormir oito horas. Talvez por ter que acordar cedo para ir à escola e, nem por isso, dormia antes de meia-noite. Até hoje sou muito bom de cama: deito e durmo em minutos, inclusive em ônibus ou no trabalho. 

Mas há algo mais forte na madrugada que me atrai e deixa o sono sempre atrasado! É quando passam os melhores programas na tv - mesmo que sejam reprises -, tocam as melhores músicas nas rádios e o silêncio possibilita que o pensamento flua livremente, tendo somente a lua como testemunha - e, ocasionalmente, uma latinha de cerveja. 

No meu mundo ideal, cada um trabalharia e estudaria no horário que melhor lhe conviesse, sem a obrigatoriedade de seguir padrões que não são os seus e nem ser considerado um "preguiçoso" só porque não acorda cedo. Sim, às vezes, ainda temos que ouvir essa acusação, mesmo trabalhando tanto quanto qualquer outro, apenas num horário diferente. Eu estudei muito e, por isso, me dou o direito de não trabalhar pela manhã. Mas viro a noite "ralando" se for preciso. Isso ninguém valoriza, né?!?

"Morrer, dormir... Dormir! Talvez sonhar..." (Hamlet). Alguém já disse que dormir é um ensaio para a morte e, como tal, não tem hora para chegar. Bom, o meu sono chegou; já a morte, não precisa ter pressa!

Boa noite!


segunda-feira, 8 de abril de 2013

sexta-feira, 8 de março de 2013

"On dã biitch"

_ Ikskiusmi. Kenai brin iu a biitch âmbréla?
_ Iés, plis.
_ A tchóklet pópsikou, plis.
_ Rir iu ar.
_ Tchóklet, koukânât, lémôn, mêngou, stróberi, assai frút.

_ Gud mórnin, gârlz. Kenai cliniór têibou?
_ Iés, plis.
_ Ariú rédi tu órder?
_ Iés. Tu fréch koukânât, plis.
_ En tu it?
_ Frentch frais.

Se você compreendeu estes diálogos, parabéns! Já está pronto para servir os gringos que virão para a cidade durante os próximos eventos internacionais! Afinal, o importante não é haver comunicação?!?

(Texto retirado do Jornal Extra em 5 de março de 2013. Isso é sério mesmo!!!)


domingo, 3 de março de 2013

"Você ainda dá aula?!?"

Fui ao supermercado comprar um lanche pra noite, quando um ex-aluno me reconheceu. Depois dos cumprimentos tradicionais, veio a pergunta: "Você ainda dá aula?!?". Não é a primeira e nem será a última vez que ouço isso, mas ainda me causa alguma surpresa, pois, será que eles consideram o magistério como uma fase transitória? Um passatempo enquanto não conseguimos um emprego melhor? Ou um ofício para recém-formados cheios do "furor pedagógico"?

Se por um lado pode soar como um elogio - "Ele me acha capaz de muito mais!" - por outro, é quase uma ofensa - "Será que é uma profissão tão ruim que ele achou que eu não ia durar???". 

Isso me fez lembrar das declarações que "estudiosos" (leia-se, pessoas que nunca pisaram numa sala de aula e criam teses baseadas apenas nos livros) fizeram esta semana no jornal O Globo, afirmando que, ao invés de utilizarem seu tempo ocioso na escola para debater a violência nas escolas, os professores preferem vender calcinhas, planejar festas juninas e trocar receitas de bolo!!! Já outro afirmou que ninguém recebe um soco por nada, ou seja, a culpa de apanhar é do professor que não soube detectar uma situação de violência a tempo!!!

Que a função do professor é muito mais que ensinar, isso todos sabemos, mas entre as suas obrigações não consta detectar e resolver situações de conflito. Isso é tarefa para a polícia!!! Além do mais, o que cada um faz do seu tempo ocioso é problema seu, seja vender calcinhas ou planejar um atentado. 

Outra coisa que me chamou a atenção nestas infelizes declarações foi o fato de em nenhum momento ter sido mencionado o papel da família. Aliás, esta palavra sequer apareceu no texto!!! Estamos vivendo uma época em que cada vez mais os pais se eximem do papel de educadores e delegam essa "obrigação" aos professores, cobrando satisfações deles quando o resultado não lhes agrada. Que filhos estamos formando para este mundo??? 

Penso que o professor Raimundo tem sorte de não estar mais entre nós, pois fica difícil até fazer piada num situação dessas.